O interessante sobre desconfiar da mídia é que todas as
pessoas que refletem sobre os últimos acontecimentos políticos, independente de
referencia partidária, mesmo que isso signifique o olhar maniqueísta sobre os
pontos, tem o consenso de que é necessário tomar cuidado com o que é veiculado
nas televisões, rádios, internet e jornais. Portanto, no meu ponto de vista, não é
a frase de impacto com sugestão de cuidado proeminente que necessariamente vai
fazer fulano ou ciclano tomar cuidado com o que recebe de informação. Acho que está para além disso. Pois as nossas convicções que irão determinar o que significa noticia certa ou errada e este é o ponto das divisões. Quando o cidadão médio refere de forma generalizada o que significa alienação subentende-se que ele não faça parte deste meio. Mas como avaliar se somos ou não alienados de alguma forma? Nisto, não estou levando em consideração a quase metade de pessoas do país que assistem a rede globo, dos milhões que compartilham um meme nas redes sociais e o referem como verdade absoluta, das situações nas quais a informação ainda é muito rasa. Mas há também as grandes teorias acadêmicas que sofreram influencias e estas possuem opinião: talvez ter uma opinião seja o começo da autonomia, ou a dificuldade de desconstrução de outras idéias.
O problema ainda pode ser o velho e conhecido papo da falta de acesso à educação, talvez a necessidade de acesso aos mais variados meios de comunicação ainda sejam escassos – e o nosso desconhecimento acaba então sendo generalizado. Para tanto, as formulas e soluções também são variadas – Mas o jogo de poder econômico e político confere que sejamos as cartas que estão dentro ou fora do baralho, daí a nossa opinião muitas vezes não conta.
Desconfiar da mídia deveria ser um principio meio óbvio,
pois as varias obrigações do cotidiano e a forma como os interesses são atribuídos para
determinados grupos não deixam uma somatória positiva de um bem comum estável.
Nosso meio urbano é socialmente, geograficamente, economicamente dividido e
sempre haverá alguém que vai desejar que a sua vontade prevaleça. Daí o
convencimento como chave de partida para colocar as massas dos lados que são úteis
para o capital financeiro, para o estabelecimento das vontades de alguns
poucos. Afinal os que tem dinheiro não se contentam em possuir uma vida boa,
eles precisam ter a segurança de que quem está em baixo continue por baixo –
outra obviedade.
E aquelas camadas da qual faço parte, como negras(os), pobres e
trabalhadoras(os) não tem o direito nem à opinião: para estes grupos pauperizados o pão e o circo continua sendo a velha estratégia...
