Apesar de lógico para muitos que os jovens infratores sejam punidos (e em nossa
realidade cultural, de forma mais severa e duramente punitiva possível), temos
um problema grave no que tange o olhar de todos nós sobre a própria sociedade:
buscamos uma alta resolutividade nas demandas, que seja ao mesmo tempo efetiva
e pontual.
Este olhar não permite um cuidado abrangente nas informações, que leve em consideração contextos sociais, históricos e econômicos que possam explicar o porquê que algumas situações são o que são. Este olhar é seletivo e parcial, muitas vezes nunca relacionado com o cotidiano, outras tantas só partem de um preconceito existente e que é alimentado pela mídia e instituições.
Este olhar não permite um cuidado abrangente nas informações, que leve em consideração contextos sociais, históricos e econômicos que possam explicar o porquê que algumas situações são o que são. Este olhar é seletivo e parcial, muitas vezes nunca relacionado com o cotidiano, outras tantas só partem de um preconceito existente e que é alimentado pela mídia e instituições.
Por isso a necessidade de uma resposta rápida.
Não deixa de ser compreensível que, quando um jovem comete um assassinato a sensação de impunidade se eleva, pois muitos têm a sensação de que a Policia, mais ainda, o Estado, não estão preparados para atender a segurança de nossos familiares - a minha garantia de livre circulação, de poder sair à noite sem medo. Ter um jovem que cometeu um crime fora das grades representa uma afronta direta aos impostos colhidos e que deveriam se reverter em segurança pública efetiva pensam muitos.
Este parágrafo anterior é um exemplo de um olhar parcial. Não aprendemos a ver os fatos a partir de variados pontos, mas somente daqueles que nos interessam – É difícil pedir para uma mãe raciocinar sobre a sociedade tendo um filho morto, mas também é difícil saber que aquele filho vivo não é mais o filho que poderia ser, afinal o crime o roubou, a sociedade o rejeitou o estado quer exterminá-lo.
Em relação a este problema estrutural esta segunda mãe também não conseguiria resolver sozinha, pois tirando o fato de que ela será culpada por ter tido mais um filho; culpada por ser negra; culpada por ser pobre; a própria vida dela representa o desespero de saber por ela e pelos outros que este filho provavelmente não será o jovem universitário, não terá uma perspectiva supostamente positiva e que tudo aquilo que a novela da Globo passou para ela foi uma grande mentira. Mas na sua intimidade ela sabe que ele tem o seu “lado” bom, que ele é só um menino – Mas a sociedade resolveu pintá-lo de marginal preto safado, tirando sua humanidade – As oportunidades vem e vão: não, no caso dela nunca existiu.
Não deixa de ser compreensível que, quando um jovem comete um assassinato a sensação de impunidade se eleva, pois muitos têm a sensação de que a Policia, mais ainda, o Estado, não estão preparados para atender a segurança de nossos familiares - a minha garantia de livre circulação, de poder sair à noite sem medo. Ter um jovem que cometeu um crime fora das grades representa uma afronta direta aos impostos colhidos e que deveriam se reverter em segurança pública efetiva pensam muitos.
Este parágrafo anterior é um exemplo de um olhar parcial. Não aprendemos a ver os fatos a partir de variados pontos, mas somente daqueles que nos interessam – É difícil pedir para uma mãe raciocinar sobre a sociedade tendo um filho morto, mas também é difícil saber que aquele filho vivo não é mais o filho que poderia ser, afinal o crime o roubou, a sociedade o rejeitou o estado quer exterminá-lo.
Em relação a este problema estrutural esta segunda mãe também não conseguiria resolver sozinha, pois tirando o fato de que ela será culpada por ter tido mais um filho; culpada por ser negra; culpada por ser pobre; a própria vida dela representa o desespero de saber por ela e pelos outros que este filho provavelmente não será o jovem universitário, não terá uma perspectiva supostamente positiva e que tudo aquilo que a novela da Globo passou para ela foi uma grande mentira. Mas na sua intimidade ela sabe que ele tem o seu “lado” bom, que ele é só um menino – Mas a sociedade resolveu pintá-lo de marginal preto safado, tirando sua humanidade – As oportunidades vem e vão: não, no caso dela nunca existiu.
Existem alguns lados.
A turma com direcionamento político de esquerda, da qual me
incluo, sempre coloca as classes abastadas como insensíveis as pautas sociais,
com o principal motivo de ser alimentada e alimentar o capital, fonte de lucro
e conforto para estes.
Ao mesmo tempo a outra turma, que geralmente tem um direcionamento político de direita, de cunho liberal, diz ter esta sensibilidade, pautada nas campanhas de ajuda aos mais necessitados, acusando os esquerdistas de hipócritas na crença de uma sociedade mais justa.
Ao mesmo tempo a outra turma, que geralmente tem um direcionamento político de direita, de cunho liberal, diz ter esta sensibilidade, pautada nas campanhas de ajuda aos mais necessitados, acusando os esquerdistas de hipócritas na crença de uma sociedade mais justa.
Quem atua? Quem tem responsabilidade sobre estas idéias e
possíveis ações?
Quem está na ponta, quem sofre, não está se importando com o que pensa A ou B, ao mesmo tempo sabemos que esta mesma população é diretamente influenciada pelos espaços de poder por uma das letras. Essa população que está na linha de frente (da qual também faço parte) muitas vezes precisa de um direcionamento que não seja aquele que possui lados, mas sim daquele que tenha um senso de justiça social que os faça saber caminhar nas análises e decisões com as próprias pernas.
Isso significa, por exemplo, saber que somente 1% dos jovens comente atos das quais serão punidos e que 0,5% deste total é representado por homicídios. Que somente 3% dos crimes que acontecem no Brasil são efetivamente esclarecidos e que existe cerca de 90 mil pessoas nas cadeias sem julgamento, maioria destes casos delitos leves, de simples resolução – A questão racial e social é preponderante para definir quem deve ou não ir para as cadeias, mas estas informações são colocadas como triviais, como se todos tivessem o mesmo tipo de tratamento no sistema prisional.
Quem está na ponta, quem sofre, não está se importando com o que pensa A ou B, ao mesmo tempo sabemos que esta mesma população é diretamente influenciada pelos espaços de poder por uma das letras. Essa população que está na linha de frente (da qual também faço parte) muitas vezes precisa de um direcionamento que não seja aquele que possui lados, mas sim daquele que tenha um senso de justiça social que os faça saber caminhar nas análises e decisões com as próprias pernas.
Isso significa, por exemplo, saber que somente 1% dos jovens comente atos das quais serão punidos e que 0,5% deste total é representado por homicídios. Que somente 3% dos crimes que acontecem no Brasil são efetivamente esclarecidos e que existe cerca de 90 mil pessoas nas cadeias sem julgamento, maioria destes casos delitos leves, de simples resolução – A questão racial e social é preponderante para definir quem deve ou não ir para as cadeias, mas estas informações são colocadas como triviais, como se todos tivessem o mesmo tipo de tratamento no sistema prisional.
Que esses jovens têm uma lei ampla e especifica lei (ECA) que
os protege e que estes mesmos jovens também são punidos em casas que servem de pré-escola
daquilo que será o sistema prisional: não inclui, não recupera e ao mesmo tempo
o empodera no mundo da criminalidade.
Que os programas policiais em horário nobre da TV aberta mostram uma realidade condizente com os interesses de quem os implementa, com sérias desinformações confundindo o pensamento da população, definindo assim as políticas conservadoras através da pressão que a mesma mídia impõe ao congresso. O próprio congresso, como nunca antes visto, tem uma postura de retrocesso em todas estas avaliações e deixam evidente que suas decisões são passionais e que não representam toda a população.
Poderia escrever mais três páginas de informações e de tragédias que infelizmente não ajuda o pobre e o faz mais alienado – eis um dos motivos que fazem com aja uma alta taxa de concordância com a redução da maioridade penal, fazendo com que a população tenha uma sensação de medo constante, da falta de enfrentamento, de busca incessante por valores rasos do capitalismo trazidos pela individualidade e consumismo.
Pois bem, voltando ao olhar sobre as coisas - sejam para questões graves de racismo, de falta de controle em problemas ambientais, de atitudes duvidosas na política, ou seja, em variados setores de nosso cotidiano - caminhamos com uma simplicidade absurda, que se torna mais absurda quando partem de pessoas que detém a informação, mas faz dela algo hostil e para poucos. Sabemos que melhorar a sociedade significa ouvir todos os lados, dar espaços para as discussões, porém em alguns momentos quem está no poder perde o controle sobre aquilo que é humano e ser humano significa dar vazão a um olhar mais amplo sem influências e com bons ouvidos.
Que os programas policiais em horário nobre da TV aberta mostram uma realidade condizente com os interesses de quem os implementa, com sérias desinformações confundindo o pensamento da população, definindo assim as políticas conservadoras através da pressão que a mesma mídia impõe ao congresso. O próprio congresso, como nunca antes visto, tem uma postura de retrocesso em todas estas avaliações e deixam evidente que suas decisões são passionais e que não representam toda a população.
Poderia escrever mais três páginas de informações e de tragédias que infelizmente não ajuda o pobre e o faz mais alienado – eis um dos motivos que fazem com aja uma alta taxa de concordância com a redução da maioridade penal, fazendo com que a população tenha uma sensação de medo constante, da falta de enfrentamento, de busca incessante por valores rasos do capitalismo trazidos pela individualidade e consumismo.
Pois bem, voltando ao olhar sobre as coisas - sejam para questões graves de racismo, de falta de controle em problemas ambientais, de atitudes duvidosas na política, ou seja, em variados setores de nosso cotidiano - caminhamos com uma simplicidade absurda, que se torna mais absurda quando partem de pessoas que detém a informação, mas faz dela algo hostil e para poucos. Sabemos que melhorar a sociedade significa ouvir todos os lados, dar espaços para as discussões, porém em alguns momentos quem está no poder perde o controle sobre aquilo que é humano e ser humano significa dar vazão a um olhar mais amplo sem influências e com bons ouvidos.
Sou totalmente contra a redução da maioridade penal e se
perguntarem o porquê eu diria que tirar sofrimentos e aumentar outros não faz
da sociedade um lugar melhor e necessariamente mais justo.
